Provavelmente fiquei esperando por algo que nunca irá acontecer.
Esse é o problema maior com a maioria das pessoas:
Se não são cheias de merda pra acompanhar, são cheias de merda pra acompanhar.
É o caso do ex-namorado, é a bebida, é a organização, não importa.
Por muito tempo fiquei esperando uma resposta, um convite, qualquer merda,
que fizesse valer a porra de vida que tem acontecido.
A verdade é que nunca vai acontecer!
Nada disso.
E a cada vez que vejo olhos novos, bocas novas, corpos novos,
Só me vem a sensação de vazio filho da puta que corrói tudo que tem.
É um vazio metafórico, claro, que por algum tempo é suprido por sexo e/ou drogas, normalmente.
Mas é provisório, é monocórdio e repetitivo.
A bebida tem um papel importante nisso, faz esquecer.
Faz adormercer.
Tanto a mente, quanto o corpo, e não tem coisa melhor que tudo apagado, tudo desligado.
A mente não desliga, entretanto.
A todo o tempo fica rodando merda e mais merda que acontece.
Todo o dia, a todo o tempo.
O maior erro que se tem, é pensar que se tem base ou conforto em qualquer coisa,
Nada que te faça qualquer outra coisa além de esquecer e apagar, funciona.
Nada do que não te faz pensar menos, respirar menos, viver menos, funciona.
É aí que a bebida entra.
Sou covarde, claro, em me esconder atrás de um copo,
Atras de relações alheias que no máximo que tu irá fazer, é as destruir.
É como se fossem, as pessoas, formas de suprir alguma necessídade não suprível.
Mas não supre.
Me cansei de saber disso.
Nada supre.
Mas a batalha contra a garrafa é algo que ocupa.
É uma das únicas coisas que ocupam e faz a mente voar um pouco.
Todo dia, ali, ou querendo, ou bebendo, faz o dia continuar.
É uma merda esse desejo incessante de morrer, como se a próxima esquina, a morte estivesse.
Uma necessidade de todo mundo de ser útil, de ser algo,
De ser a próxima grande merda do mundo, como se fosse qualquer coisa que valesse a pena.
É uma grandessíssima merda.
Sábado, Dezembro 24, 2011
Sexta-feira, Dezembro 02, 2011
Marcelinho 05h09min
Eu trabalhava como porteiro, segurança ou qualquer coisa que necessitasse em um bar todas as noites e recebia pouco. Às vezes menos do que eu esperava, mas normalmente pouco. Tinha um desses caras que vigiam carros e que era amigo dos donos do bar.
- Porra, cara, essa falta de sexo deixa o cara doido – Disse o homem
- Claro - Eu disse.
- Eu to há sete anos sem comer ninguém, desde que fui internado e nunca mais vi uma buceta na vida.
- Mas tu foi internado há um ano, certo?
- Então, to há sete meses sem fuder ninguém.
- Isso é foda. Porque não paga alguém pra tu comer?
- Ta doido? Eu posso cair morto encima da pessoa.
O marcelo tinha sido internado por algum problema no pulmão. Sei que perdeu um ou danificou um e o outro já tava pra acabar... ou os dois estavam danificados, daria na mesma no fim de tudo. Ele nunca disse meu nome, talvez por não fazer a menor ideia - como a maioria das pessoas.
- Falta de sexo deixa o cara doido - Foi o que ele me disse enquanto uma mulher de mais ou menos 1,70m passava pela porta do bar.Ela sempre passava por ali. Uma gostosa, branca, cabelo preto até o meio das costas, com coxas e bundas que me davam vontade de casar com tudo aquilo e sabia que seria uma foda daquelas.
- Deixa mesmo - Respondi olhando a mulher passar.
- Só de pensar em comer essa bundinha redondinha – ele disse olhando pra mulher – eu já fico pouco mal. Isso que deixa o cara doido, querer algo, querer essas que andam por aí... Eu não quero essas vagabundas de balada que se vestem com vestidos curtos e rebolam pra qualquer um que pague pra elas. Não quero pagar. Se bem que por 100 reais eu pagaria. Mas não quero pra ficar comigo.
Esse papo continua por bastante tempo, mas tem todo o sentido da face da porra da terra. Sempre pensei que isso deixaria qualquer um doido com o tempo e eu sei que me deixaria completamente débil.
Sempre fui assim: Quanto mais eu tinha, quanto mais pessoas eu encontrava e conhecia, mais eu queria. Mais eu queria me ver no meio daquelas pernas e enfiar minha língua naquelas bocas. Sempre me meti em confusão por causa de mulher. Mulher é um cão dos diabos. Tanto as que tu deitas todos os dias, quanto as que tu conheces e acaba por dormir com elas de modo extraoficial. Toda manha eu acordava e pensava “que porra é que eu to fazendo? Eu sei quem é a pessoa certa pra mim e não é nenhuma dessas”.
Sempre tinha uma pessoa certa.
Nunca era a certa.
Eu acordava, vestia minhas roupas e, quando ela acordava, inventava alguma desculpa pra ela ir embora. Todas iam e, ocasionalmente, voltavam... e era sempre a mesma coisa. Mas pela manha eu não queria ver a cara de ninguém, não queria ter que aguentar ninguém além de mim e minha chatice casual.
Deve ser por isso que durmo sozinho todas as noites e me ocupo com namoros que parecem temporadas de caças. Duram uns meses e, depois de brigas, eu volto a dormir sozinho.
- Porra, cara, essa falta de sexo deixa o cara doido – Disse o homem
- Claro - Eu disse.
- Eu to há sete anos sem comer ninguém, desde que fui internado e nunca mais vi uma buceta na vida.
- Mas tu foi internado há um ano, certo?
- Então, to há sete meses sem fuder ninguém.
- Isso é foda. Porque não paga alguém pra tu comer?
- Ta doido? Eu posso cair morto encima da pessoa.
O marcelo tinha sido internado por algum problema no pulmão. Sei que perdeu um ou danificou um e o outro já tava pra acabar... ou os dois estavam danificados, daria na mesma no fim de tudo. Ele nunca disse meu nome, talvez por não fazer a menor ideia - como a maioria das pessoas.
- Falta de sexo deixa o cara doido - Foi o que ele me disse enquanto uma mulher de mais ou menos 1,70m passava pela porta do bar.Ela sempre passava por ali. Uma gostosa, branca, cabelo preto até o meio das costas, com coxas e bundas que me davam vontade de casar com tudo aquilo e sabia que seria uma foda daquelas.
- Deixa mesmo - Respondi olhando a mulher passar.
- Só de pensar em comer essa bundinha redondinha – ele disse olhando pra mulher – eu já fico pouco mal. Isso que deixa o cara doido, querer algo, querer essas que andam por aí... Eu não quero essas vagabundas de balada que se vestem com vestidos curtos e rebolam pra qualquer um que pague pra elas. Não quero pagar. Se bem que por 100 reais eu pagaria. Mas não quero pra ficar comigo.
Esse papo continua por bastante tempo, mas tem todo o sentido da face da porra da terra. Sempre pensei que isso deixaria qualquer um doido com o tempo e eu sei que me deixaria completamente débil.
Sempre fui assim: Quanto mais eu tinha, quanto mais pessoas eu encontrava e conhecia, mais eu queria. Mais eu queria me ver no meio daquelas pernas e enfiar minha língua naquelas bocas. Sempre me meti em confusão por causa de mulher. Mulher é um cão dos diabos. Tanto as que tu deitas todos os dias, quanto as que tu conheces e acaba por dormir com elas de modo extraoficial. Toda manha eu acordava e pensava “que porra é que eu to fazendo? Eu sei quem é a pessoa certa pra mim e não é nenhuma dessas”.
Sempre tinha uma pessoa certa.
Nunca era a certa.
Eu acordava, vestia minhas roupas e, quando ela acordava, inventava alguma desculpa pra ela ir embora. Todas iam e, ocasionalmente, voltavam... e era sempre a mesma coisa. Mas pela manha eu não queria ver a cara de ninguém, não queria ter que aguentar ninguém além de mim e minha chatice casual.
Deve ser por isso que durmo sozinho todas as noites e me ocupo com namoros que parecem temporadas de caças. Duram uns meses e, depois de brigas, eu volto a dormir sozinho.
Sábado, Novembro 12, 2011
Zelig (04h28min)
todas essas garotas nos seus vestidos apertados
com seus batons
e cabelos falsos
e com salto alto e maquiagem
andando pra cima e pra baixo na rua
rindo e cantando
segurando braço de homens
homens que não são nada além de garotos pelo modo e agir
todos eles parecem os mesmos
idiotas fabricados em série
superficiais
que andam nas ruas como se as
suas vidas estivessem completamente resolvidas
e seguram essas mulheres pelos braços
e as tratam como elas pedem para serem tratadas
eu sei que nunca serei dessa forma
nunca segurarei esse tipo de mulheres pelos braços
e que não me faz falta
já conheci algumas e não lembro seus nomes
somente seus vestidos apertados
com os seus batons
e os cabelos falsos
e com saltos altos e maquiagem.
com seus batons
e cabelos falsos
e com salto alto e maquiagem
andando pra cima e pra baixo na rua
rindo e cantando
segurando braço de homens
homens que não são nada além de garotos pelo modo e agir
todos eles parecem os mesmos
idiotas fabricados em série
superficiais
que andam nas ruas como se as
suas vidas estivessem completamente resolvidas
e seguram essas mulheres pelos braços
e as tratam como elas pedem para serem tratadas
eu sei que nunca serei dessa forma
nunca segurarei esse tipo de mulheres pelos braços
e que não me faz falta
já conheci algumas e não lembro seus nomes
somente seus vestidos apertados
com os seus batons
e os cabelos falsos
e com saltos altos e maquiagem.
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